O Instituto Beja deu início, em 2022, ao movimento Filantropando com o objetivo de criar espaços de diálogos concretos sobre as transformações necessárias para impulsionar a filantropia brasileira. Fundamentado na revitalização do ecossistema e na introdução de novas ideias e práticas, o movimento busca estimular a troca e a expansão de perspectivas.
A iniciativa foi concebida como um espaço seguro de diálogos concretos sobre inovações relevantes, possíveis e pertinentes, temáticas desafiadoras que deveriam ser mais aprofundadas e, ainda, as transformações necessárias para o ecossistema da filantropia no Brasil. Entre seus principais objetivos, está a vontade do Instituto Beja de contribuir para inspirar novas ideias e práticas que estimulem a troca e a expansão de perspectivas do campo, bem como possibilitar um ambiente dinâmico e imersivo que incentive diálogos e interações criativas, além do agir coletivo com novas abordagens.
O movimento conta, desde sua terceira edição, com a parceria do Instituto Toriba, na figura de Graciela Selaimen.
A parceria, entretanto, teve início na segunda edição do Filantropando, realizada em 2023, na qual Graciela foi corresponsável pela curadoria e facilitação.
“O Filantropando propõe um espaço seguro para falar sobre os temas de forma aberta e intensa. Falamos em ‘oxigenar boas ações’ porque procuramos oxigenar as relações e o lugar do encontro, com novos formatos para discussão e a forma como são conduzidas, com intencionalidade. Buscamos trazer conceitos novos ou que já estão por aí, mas a partir de formatos diferentes, mais provocativos, para atrair e seduzir o público a prestar atenção. Não são palestras ou conversas ensaiadas. São diálogos espontâneos e profundos com pessoas de dentro e de fora da filantropia. O ideal é que o público seja surpreendido ao falar de um assunto desafiador.”
Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
“A cada ano, a gente faz algo muito diferente do que fizemos no anterior e, com isso, sempre aprendemos muito. É como se a gente estivesse sempre começando de novo, aprendendo, mas dando um passo além na edição seguinte. Nós não reproduzimos aquilo que já fizemos e que funcionou, é sempre uma aposta nova.”
Graciela Selaimen
Fundadora e Diretora Executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja



Fotos: Fernando Cavalcanti
A 4ª edição do Filantropando: Ciclo de Diálogos Improváveis
Além de palco da COP 30, realizada entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, a cidade de Belém, no Pará, também sediou a 4ª edição do Filantropando, com o Ciclo de Diálogos Improváveis, uma iniciativa do Instituto Beja, Instituto Toriba e Instituto Clima e Sociedade.
A edição aconteceu num momento em que o mundo clama por ações climáticas enraizadas na justiça e na pluralidade.
O barco Beja foi o ponto de encontro para sete rodas de conversa, organizadas em quatro “grandes ondas”, que conectam justiça climática a temas como território, comunicação, imaginação e financiamento transformador.
“O que nos leva à COP é necessariamente a criação desse espaço de reflexão e de construção de um novo raciocínio a partir das dores do planeta e da espécie, por meio das lentes de diversidade, para que a filantropia tome riscos e desvie de caminhos dados indevidamente como certos.”
Cristiane Sultani
Fundadora e Presidente do Conselho de Administração do Instituto Beja
“A ideia de fazer ‘diálogos improváveis’ se deu porque os diálogos prováveis já estavam na agenda [da COP] e a gente não queria e nem fazia sentido concorrer com isso. Sempre digo ao Beja que precisamos questionar qual é a nossa contribuição única a partir da nossa singularidade enquanto instituição que faz parte de um campo. Em uma agenda tão ampla e disputada, queríamos um espaço que tivesse uma pluralidade de visões, onde pessoas muito diferentes entre si pudessem se tensionar criativamente.”
Graciela Selaimen
Fundadora e Diretora Executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
A grande motivação dessa edição do Filantropando foi propor um espaço vivo e simbólico para encontros que dificilmente aconteceriam nos formatos tradicionais – e que, justamente por isso, são urgentes. Os Institutos Beja e Toriba almejavam a criação, em meio à agenda oficial da COP, de um ambiente onde alianças improváveis pudessem surgir, fortalecer-se e projetar-se para o futuro.
Foi isso o que aconteceu durante os sete dias de encontros, que reuniram mais de 23 debatedores, entre líderes, cientistas, ativistas e artistas. A partir desses diálogos improváveis, a escuta profunda e a troca genuína foram possíveis.
Giro pela 4ª edição do Filantropando
rodas de conversa
horas de atividades
debatedores(as)
cerca de
participantes
ONDA 1
O que sustenta a vida
Território, espiritualidade, cuidado e ancestralidade

“Fé que move montanhas
(e territórios)”
Como fé, ancestralidade e cultura mobilizam solidariedades coletivas e práticas sustentáveis na defesa e cuidado dos territórios?
Palestrantes:
Ronilso Pacheco, cientista político e diretor do Instituto de Estudos da Religião (ISER)
Leila Borari, ativista socioambiental, cofundadora da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós e coordenadora de articulação cultural no Instituto Amazônia de Pé
Mediadora:
Graciela Selaimen, Fundadora e Diretora-executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Se o mapa fosse desenhado por nós”
Que cartografias emergem quando comunidades redesenham suas fronteiras — e que potenciais transformadores isso revela?
Palestrantes:
Alfredo Wagner, antropólogo e coordenador da Nova Cartografia Social da Amazônia
Ruan Guajajara, geógrafo, mestre em Gestão Territorial e Ambiental, membro da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
Mediadora:
Eliane Brum, jornalista e escritora, fundadora da plataforma Sumaúma
ONDA 2
O que move os recursos
Financiamento, rastreabilidade e alianças financeiras

“Quando o verde pinta de branco”
Identificando transformações sistêmicas autênticas além da estética verde e das práticas cosméticas.
Palestrantes:
Julia Catão, coordenadora do programa de Consumo Responsável e Sustentável do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec)
Maureen dos Santos, coordenadora do Núcleo de Políticas e Alternativas da FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) e da Plataforma Socioambiental do BRICS Policy Center
Mediadora:
Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS)

“Dinheiro que brota do chão”
Financiamento e mecanismos econômicos que valorizam recursos territoriais e geram dignidade através de soluções financeiras inovadoras.
Palestrantes:
Valéria Paye, liderança à frente do Fundo Podáali, Fundo Indígena da Amazônia Brasileira
Nicole Rycroft, fundadora e diretora-executiva da ONG Canopy
Marcelle Decothé, diretora de Estratégia e Sustentabilidade da Iniciativa PIPA e cofundadora da NARRA
Mediador:
Marcos Lopes, diretor-executivo do Tilt Collective no Brasil
ONDA 3
O que rompe o silêncio
Narrativas, comunicação, escuta ativa e dissenso

“Contar o amanhã
no presente”
Como narrativas constroem futuros e moldam realidades emergentes, ampliando vozes na construção de caminhos sustentáveis para a vida no planeta.
Palestrantes:
Kamila Camilo, empreendedora social negra, diretora do Instituto Oyá e da iniciativa Creators Academy
Genevieve Hilton (Jan Lee), autora de “Fairhaven – A Novel of Climate Optimism” e co-chair do Energy & ESG committee da AmCham Hong Kong
Maickson Serrão, jornalista Tupinambá e contador de histórias da Floresta Amazônica
Mediadora:
Graciela Selaimen, Fundadora e Diretora-executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
ONDA 4
O que constrói o amanhã
Imaginar futuros, governança climática e diplomacia popular

“E se o Sul redesenhasse a COP?”
Arquiteturas de governança e tomada de decisão emergentes do Sul Global e seus impactos em prioridades, estruturas e cronogramas de ação.
Palestrantes:
Daniel Calarco, fundador e presidente do Observatório Internacional da Juventude
Caroline Rocha, diretora de Políticas Públicas e Engajamento na LACLIMA, cofundadora da Rede Amazônidas pelo Clima
Mwanahamisi Singano, feminista africana e diretora de Policy do Women’s Environment & Development Organization (WEDO)
Mediadora:
Denise Dora, enviada especial da COP 30 para Direitos Humanos e Transição Justa

“Adaptação é agora”
Soluções inovadoras que salvaguardam vidas e territórios em cenários de transformação climática acelerada.
Palestrantes:
Thuane Nascimento, diretora-executiva do Perifa Connection
Diosmar Filho, cientista social, articulador de epistemologias negras e políticas climáticas, Instituto Iyaleta
Mediador:
Natalie Unterstell, fundadora do Instituto Talanoa

Além das parcerias institucionais, a 4ª edição do Filantropando contou com parceria de comunicação da Revista Gama, responsável por transformar as rodas de conversa em uma série de podcasts. Acesse o link e confira todas as produções.



