É fato que o acesso à informação é essencial para que cidadãos e cidadãs possam ter garantia aos seus direitos, algo fundamental numa democracia. Afinal, só assim poderão conhecer as políticas públicas existentes, os serviços disponíveis em seu entorno, participar ativamente e ocupar espaços educacionais, de saúde, de lazer. 

Como garantir isso se 47% da população brasileira evita consumir notícias*? E mais da metade dos brasileiros consome notícias só por meio das redes sociais, mas o pacote de internet móvel para milhões de pessoas termina antes do fim do mês? Isso sem falar que mais da metade dos municípios do país são desertos de notícias, ou seja, não contam com meios jornalísticos locais, impactando mais de 30 milhões de brasileiros**.


Saiba mais:

O Desenrola e Não Me Enrola é uma organização de Jornalismo de Soluções e Alfabetização Midiática Antirracista, criada em 2013. Trabalha para desenvolver, implementar e escalar tecnologias informativas e educacionais focadas na prevenção e combate das desigualdades informacionais, como a desinformação, desertos de notícias, analfabetismo midiático e a segregação digital em periferias, favelas, quilombos e terras indígenas no Brasil, para promover mudanças sistêmicas no direito
à informação e à comunicação, que inspira e cocria inovação sobre políticas públicas que possam aproximar as populações desses territórios de direitos sociais, participação social, jornalismo e democracia.

Como, então, dar conta desse desafio cada vez mais complexo, e quais novas abordagens seriam necessárias para solucionar os problemas no mesmo ritmo que eles surgem?

São perguntas como essas que têm instigado, há mais de 13 anos, a organização Desenrola e Não Me Enrola, uma iniciativa de jornalismo focada na identidade cultural das periferias que atua a partir do eixos de Formação e Conteúdo. Algumas respostas a essas perguntas já começaram a ser respondidas e, mais do que isso, caminhos concretos de soluções desenhados, a partir da vivência que o Desenrola e Não Me Enrola tem tido, desde que foi indicado pelo Instituto Beja, em 2025 – depois de um apoio institucional realizado no ano de 2024 – para fazer parte da jornada do Centro para Mudanças Exponenciais (CMe).

Foto: Ford Foundation

O Instituto Beja tem a capacidade de enxergar o Desenrola e Não Me Enrola como uma organização que produz futuros, conhecimentos e ações práticas que podem inspirar, de forma coletiva e sistêmica, a construção de novos paradigmas e caminhos para a elaboração de políticas públicas adaptadas a diferentes contextos sociais, culturais, políticos, econômicos e tecnológicos nas periferias, favelas, quilombos e terras indígenas do Brasil. Ou seja, ao reconhecer não apenas os nossos projetos, mas, sim, as dimensões do nosso trabalho, o Beja promove uma revolução no campo da filantropia. Por isso, consideramos a parceria com o Instituto Beja uma das mais inovadoras e promissoras que já realizamos.”

Ronaldo Matos
Diretor-executivo e cofundador do Desenrola
e Não Me Enrola

O CMe é o hub brasileiro do Centre for Exponential Change (C4EC), uma rede global de suporte a Orquestradores de Sistemas*, cofundada pelo Instituto Beja e mais cinco filantropias de diferentes continentes – Nilekani Philanthropies (Índia), New Profit (EUA), Skoll Foundation (EUA, com atuação internacional), Waverley Street Foundation (EUA, com atuação internacional) e Yellowwoods Foundation (África do Sul).

No Brasil, o CMe é incubado pelo Instituto Beja, que investirá 10 milhões de dólares até 2029 para apoiar, pelo menos, 20 organizações na jornada para mudanças exponenciais no Brasil, além de financiar parte dos custos do hub brasileiro.

O Centro para Mudanças Exponenciais (CMe) nasce com a missão de ampliar a escala, a velocidade e a sustentação de transformações sociais que emergem da sociedade brasileira.

“No CMe, temos a missão de colocar em prática o tipo de filantropia em que o Instituto Beja acredita: colaborativa, inovadora e ousada. Colaborativa, porque entendemos que o capital filantrópico vai ser sempre menor do que a escala dos problemas a que ele está se propondo resolver. E uma das formas de endereçar isso é, justamente, entender que uma fundação específica não terá todos os recursos necessários para dar conta do desafio. Mas, em colaboração com a sociedade civil, o setor privado e o governo, isto é possível. Já quando falamos de inovação, a pergunta é: ‘Quem está inovando?’ A partir de qual referência e para qual contexto? E, no CMe, essa perspectiva é de como trazer mais impacto de forma escalável, com velocidade e sustentação a partir de uma referência do Sul Global. Isso é inovação. E, a ousadia, vem da perspectiva de investir numa proposta de tomada de risco, de incubar o hub brasileiro da rede, com possibilidades de testar, errar, acertar e com um compromisso de longo prazo de trazer essa abordagem para o país.”

Fabio Tran
Diretor do CMe e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

A proposta do Centro é uma mudança de mentalidade, uma nova forma de pensar a escala. Hoje, a lógica mais aplicada pela maioria das fundações e filantropias é a de escalar – aumentar o alcance e a expansão – o que já funciona, o que, em muitos casos, é um programa piloto que alcançou bons resultados em um contexto específico. Replicá-lo, em outros cenários, não daria conta da diversidade de um território continental como o do Brasil. 

 

Com isso, a escala acaba sendo imposta de cima para baixo. Não há incentivos para a distribuição da agência – ou seja, quando os indivíduos têm a liberdade e o poder de tomar decisões para sua vida – entre os diferentes atores envolvidos, nem grande foco no acesso ou na construção de uma infraestrutura aberta e compartilhada, ou de espaços de colaboração e rede. Nesses casos, a diversidade, muitas vezes, se torna um desafio operacional.

 

Na prática, o CMe cria as condições para que transformações deixem de ser incrementais e passem a operar em uma lógica exponencial: mais atores conectados, mais valor por interação e mais impacto com menor custo.

Frentes de atuação

Para o Centro, as mudanças exponenciais acontecem quando sistemas inteiros passam

a operar de forma inclusiva, inovadora

e estruturante. Assim, com o objetivo de resolver desafios sociais com escala, velocidade

e sustentação, o CMe atua em duas frentes:


  1.  Impulsionar os Orquestradores de Sistemas: líderes de organizações de impacto que demonstram alto potencial de ideação e execução para gerar transformações sociais positivas, articulando diversos atores em torno de uma causa relevante;
  2. Reunir as maiores referências intelectuais e vozes locais nas temáticas de clima, educação, saúde, meios de vida e equidade para coconstruir Planos Diretores, ou seja, planos de ação que unam e alinhem estratégias e forças do setor público, privado, academia e sociedade civil.

“No CMe, incentivamos as organizações apoiadas a convidarem outras para colaborar e desenhar juntas, desde o começo, o que funcionará em escala, restaurando a agência de todos os atores e setores envolvidos, cada qual em seu contexto. Apoiamos a criação de espaços para coconstrução em rede, compartilhando o conhecimento existente, estimulando a colaboração e distribuindo a habilidade de resolver o problema em todo o ecossistema. Por fim, fomentamos a construção de uma infraestrutura para sustentar essa colaboração em larga escala a custos baixos, o que, geralmente, leva à construção de uma infraestrutura digital aberta e interoperável, ou seja, permitindo que os sistemas se comuniquem e atuem em conjunto sem intercorrências, avançando de forma mais rápida e duradoura. Assim, a escala emerge de maneira orgânica e articulada. E a diversidade se torna nosso principal ativo.”

Fabio Tran
Diretor do CMe e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

A Jornada para Mudanças Exponenciais

A jornada – desenhada pelo C4EC – apoia lideranças sociais a usarem o chamado “Pensamento Societal”* para aumentar a escala, velocidade e sustentação das transformações das suas organizações. Ela foi construída para ajudá-las a superarem sete “abismos/ barreiras” que elas precisam atravessar como líderes transformadores: conhecimento, reimaginação, convicção, design-ação, coordenação, mobilização e autoeficácia.

Para ajudá-los a transpor essas barreiras,
a jornada é dividida em três fases:

Fase A: Design Estratégico (3 - 6 meses)

Mergulhar no desafio para identificar:

O que pode ajudar a aumentar escala, ganhar velocidade e sustentar a mudança?

Fase B: Prototipagem (6 - 9 meses)

Construir protótipos utilizando recursos digitais abertos (conhecimentos, processos, tecnologias, conexões 

e dados) e expertise da rede C4EC.

Fase C: (2º ano em diante)

A rede C4EC pode ajudar a: 

• Coordenar diversos atores (Governo, Sociedade Civil, Mercados, Comunidades) 

• Mobilizar diversos recursos (financiamentos, expertise, parcerias, acesso a comunidade)

Ao longo da jornada, as lideranças têm acesso a:

  • Conhecimento prático aberto – por que, o que e como buscar mudanças exponenciais; 

 

  • Suporte no design e prototipagem – apoio da equipe local de design e parceiros para aplicar a abordagem no contexto da organização; 

 

  • Apoio financeiro;

 

  • Mentoria especializada; e

 

  • Suporte ao desenvolvimento da autoeficácia das lideranças.

Assim, as organizações ganham autonomia para orquestrar sistemas com premissas de escala, velocidade e sustentação.

Na prática:
a Jornada do Desenrola e Não Me Enrola

Ronaldo Matos, diretor-executivo do Desenrola e Não Me Enrola, conta como tem vivenciado esse percurso na prática. Para ele, a jornada no CMe permitiu ao Desenrola organizar sua atuação e analisar a maneira como constrói redes e coalizões. 

“Outro ponto fundamental que o CMe nos despertou foi a importância de restaurar a agência das pessoas, que era algo que já fazíamos, mas não tínhamos uma dimensão de como estabelecer em escala. E o Centro mostrou que é possível fazer de uma maneira mais organizada e sistêmica. Além disso, reforçou que precisamos aprender a orquestrar outros atores que podem apoiar o debate público e somar forças na nossa jornada. Isso é um processo revolucionário”, destaca. 

O ponto de partida na jornada foi, justamente, mapear o que era comum a todas as instituições que atuam como o Desenrola no enfrentamento à desinformação no país e na realização de iniciativas que ampliem o acesso da população a informações qualificadas, a fim de pensar como traçar um caminho para uma mudança exponencial nesse campo. 

“Identificamos todos os aprendizados, os erros e os acertos com a experiência de uma infraestrutura digital para o jornalismo, que é o Território da Notícia* . Vimos que esse é o caminho. A partir daí, fomos amadurecendo as ações que poderiam ser feitas dentro dos ciclos da jornada do CMe”, explica Ronaldo.

Assim, a partir de agora, o foco de atuação do Desenrola será iniciar a cocriação e construção da primeira infraestrutura pública digital para o ecossistema do jornalismo e educação midiática no Brasil, apresentando a proposta para entidades setoriais, lideranças do governo federal, filantropias, centros acadêmicos e redes de jornalismo estaduais no Brasil. 

Para colocar essa iniciativa em prática, o Desenrola está desenvolvendo um protótipo para testar como distribuir, nessa comunidade interconectada, a capacidade de prevenir a desinformação nos territórios de periferias, favelas, quilombos e terras indígenas. A proposta está sendo desenvolvida em parceria com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), movimento social com atuação em toda a Amazônia Legal, para atuar em mais de 20 municípios do estado do Pará durante os próximos três anos.

O objetivo é implementar a metodologia de distribuição de capacidades para um grupo maior de organizações de jornalismo e de educação midiática, para que possam utilizar essa infraestrutura digital nos seus territórios e distribuir essa capacidade para outras pessoas, ou seja, uma grande rede vai acessar outra até chegar no território em expansão. 

Em conjunto a isso, a expectativa é que o CNS coloque em prática um programa de enfrentamento à desinformação em territórios extrativistas, impactando principalmente jovens e mulheres dessas regiões, para que tenham capacidade de fazer com que outros moradores não reproduzam desinformação e passem a consumir notícias de qualidade. Além disso, a partir da parceria, a perspectiva é que o CNS faça articulação e incidência para transformar essa iniciativa em política pública. 

“Quando o morador usa as notícias, a partir dos seus próprios interesses, para tomar decisão, passa a reivindicar os seus direitos e, também, a acessar políticas públicas simples do seu território que não sabia que existiam ou que não estavam a seu alcance. Com isso, vamos restaurar a agência [quando os indivíduos têm a liberdade e o poder de tomar decisões para sua vida] dessas pessoas, e, aplicando essa estratégia em escala, alcançaremos uma mudança exponencial”, destaca o diretor-executivo do Desenrola e Não Me Enrola.

Aprendizados do Desenrola na Jornada

  • Garantir tempo e espaço para debater, experimentar e aplicar um novo modelo mental das lideranças da organização, que, com o tempo, começam a mudar a cultura institucional das suas organizações, em prol da implementação de projetos mais sistêmicos;

 

  • Apoiar a construção e o fortalecimento de redes de parceiros, ampliando a quantidade e o impacto de trocas entre diferentes tipos de atores;

 

  • Ampliar as possibilidades e mecanismos de construção de parcerias com o poder público, com uma visão de longo prazo, o que permite à organização colocar em prática ações de escala baseadas em qualidade e não em quantidade.

 

 

 

Organizações participantes

O Instituto Beja mapeou e indicou, até o momento, seis organizações brasileiras para participarem da jornada. Conheça mais sobre as instituições e como elas têm vivenciado a experiência.


Turma de 2024

Além do Desenrola e Não Me Enrola, fazem parte da turma selecionada no final de 2024:


Sobre MapBiomas

Com base em ciência aberta e colaborativa, a rede alimenta uma plataforma que integra imagens de satélite, aprendizado de máquina e computação em nuvem. Todos os dados, mapas, métodos e códigos são disponibilizados de forma pública e gratuita.


Sobre Serenas

Fundada em 2021 por Amanda Sadalla (Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford) e Stefania Molina (Doutora pela Hertie School), a Serenas é uma organização suprapartidária e sem fins lucrativos que atua para prevenir violências baseadas em gênero no Brasil. Em parceria com governos (em nível municipal, estadual e federal), organismos internacionais e diversas organizações da sociedade civil, a Serenas baseia suas atividades em três pilares: educação para prevenção da violência, qualificação de agentes públicos para acolhimento humanizado às sobreviventes de violência sexual e doméstica e produção de conhecimento que amplia e qualifica o debate público.

Turma de 2025


Sobre Conexsus

A Conexsus – Instituto Conexões Sustentáveis – é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) criada em 2018. O trabalho é orientado por uma visão de impacto, na qual a sociobioeconomia contribui para a conservação e regeneração dos biomas e para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, impactando diretamente o bem-estar de povos indígenas, comunidades locais e agricultores familiares. Para isso, as atividades e os compromissos orientados a resultados têm foco na ativação do ecossistema de negócios comunitários, ampliando o conjunto de soluções e parcerias voltadas ao fortalecimento desses empreendimentos e adaptadas às suas necessidades organizacionais, consolidando sua contribuição para a geração de renda em áreas rurais e para a conservação de florestas e biomas, como Amazônia, Cerrado e Caatinga. Recentemente ampliou sua atuação para a escala Pan-Amazônica, estabelecendo parcerias com organizações da Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname.


Importância da parceria com o CMe

“A parceria é estratégica, porque acontece em um momento de consolidação institucional da Conexsus, e representa um passo fundamental para ampliar a escala e o impacto de soluções já testadas, combinando assessoria técnica, acesso ao crédito para negócios e famílias, apoio ao acesso a mercados e o fortalecimento das ações de monitoramento e produção de conhecimento. A contribuição do Centro agrega um olhar exponencial sobre impacto, eficiência e escalabilidade, permitindo ampliar resultados de forma estruturada. Essa abordagem dialoga diretamente com o papel da Conexsus no ecossistema e potencializa sua capacidade de gerar impacto socioambiental em maior escala.”

Expectativas da jornada para o desenvolvimento da organização

“A parceria com o CMe tem como expectativa apoiar o aprimoramento da escala dos nossos produtos financeiros, ampliando o acesso ao capital para a sociobioeconomia e fortalecendo a preparação dos negócios para acessar esses recursos. A abordagem de crescimento exponencial trazida pelo CMe é fundamental para essa jornada, ao contribuir para o aumento da capilaridade e do impacto das operações, sem a necessidade de crescimento proporcional da estrutura institucional.” 

Fabíola Zerbini

Diretora-executiva da Conexsus


Sobre SAS Brasil

 

Há 12 anos, a SAS Brasil atua para transformar o acesso à saúde especializada no país. A organização combina tecnologia, inovação e impacto social em um modelo que une atendimento presencial e digital, levando cuidado a quem mais precisa. Com mais de 500 mil atendimentos realizados e presença em mais de 350 cidades, suas ações já beneficiaram 1,5 milhão de pessoas em todas as regiões do Brasil. Reconhecida por prêmios nacionais e internacionais, a SAS Brasil segue ampliando o alcance da saúde com propósito, equidade e alegria.

 


Importância da parceria com o CMe

 

“A parceria com o Centro para Mudanças Exponenciais é fundamental para acelerar 

nossa atuação como orquestradores de mudanças sistêmicas. Também acreditamos na visão de estruturar um novo modelode atuação que parte 

da visão de promover mudanças exponenciais e conseguir chegar em uma solução que tenha 

o potencial de ser maior do que o tamanho do problema de acesso à saúde no Brasil e no mundo.”

Expectativas da jornada para o desenvolvimento da organização

“Esperamos sair dessa jornada com uma visão mais madura sobre como estruturar um caminho de solução com potencial de escala. Além disso, podemos nos conectar com uma rede global de empreendedores e parceiros com quem poderemos aprender, trocar experiências e buscar inspiração para nossa nova fase.” 

Sabine Zink

Cofundadora e CEO da SAS Brasil


Sobre Visão Coop

A Visão Coop é uma iniciativa dedicada ao enfrentamento da crise climática por meio da articulação de conhecimento, tecnologia e ação coletiva na América do Sul. Atua no mapeamento e na ativação de tecnologias voltadas à regeneração de biomas e à adaptação climática em ecossistemas e periferias urbanas, promovendo respostas estruturais e territorializadas aos desafios climáticos através de diferentes ferramentas como plataformas digitais, audiovisual e produção de artigos. Paralelamente, mobiliza ferramentas e plataformas para o fortalecimento da infraestrutura pública digital (DPI) e para a construção de uma taxonomia de ação climática baseada nas características ecológicas locais, orientando soluções preventivas e integradas, capazes de reduzir riscos, como enchentes, desde a sua origem.


 

Importância da parceria com o CMe

“Acreditamos que trabalhar com o CMe será um ponto de virada para a estratégia da Visão por fortalecer o nosso modelo de atuação diante de desafios complexos de escala, velocidade e sustentação da ação climática. O CMe contribui para transformar fricções estruturais, como o conflito entre a urgência do ‘fim do mundo’ e a sobrevivência do ‘fim do mês’, a desinformação e o baixo engajamento institucional, em caminhos de inovação, por meio da mentalidade exponencial aplicada à mobilização, à narrativa e à construção de capacidades compartilhadas.”

Lennon Medeiros

Diretor-executivo da Visão Coop

Expectativas da jornada para o desenvolvimento da organização

“Esperamos que a jornada de desenvolvimento da organização consolide nossa capacidade de transformar a mobilização em impacto climático concreto, fortalecendo a resiliência de comunidades e territórios na linha de frente da crise. Buscamos articular saberes ancestrais, ciência, tecnologia e políticas públicas, aliando soluções práticas e escaláveis a uma narrativa climática acessível, mobilizadora e conectada à vida real.”

Fabrícia Sterce

Presidente da Visão Coop

Realizado pela primeira vez no Brasil, The exChange Summit reúne 150 pessoas no Rio de Janeiro. 

Foto: Jonatha Bongestab


The exChange Summit acontece pela primeira vez no Brasil

Por que precisamos de mudanças exponenciais agora? Como uma rede de apoio pode realizar transformações? Qual é o nosso papel individual e coletivo para acelerar essas mudanças? Essas três perguntas provocaram e motivaram as principais reflexões e debates promovidos na 2ª edição do The exChange Summit. O evento, realizado em junho de 2025 pelo Centro para Mudanças Exponenciais (CMe) e pelo Centre for Exponential Change (C4EC), aconteceu pela primeira vez no Brasil, reunindo mais de 150 participantes na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

O principal encontro da rede global juntou Orquestradores de Sistemas, mentores, financiadores e lideranças do mundo inteiro, para compartilhar aprendizados, formar conexões significativas e reimaginar caminhos para a mudança exponencial.

Durante três dias, os participantes tiveram a oportunidade de se envolver em diálogos mediados, painéis de debates, atividades práticas colaborativas e experiências interativas, uma metodologia que reflete a própria abordagem do CMe.

No primeiro dia de encontro, a sessão sobre valores como diretrizes para mudanças exponenciais positivas, por exemplo, foi uma das mais bem avaliadas. “A nossa percepção foi que, a partir desse momento, as pessoas, de fato, se sentiram parte de uma comunidade, ou seja, de que não se tratava apenas de um evento, mas passaram a se identificar como membros de uma rede, de uma comunidade relevante”, destaca Rob Parkinson, PMO (Project Management Office) CMe do Instituto Beja.

A importância do fortalecimento de redes marcou também a fala de André Aranha Corrêa do Lago, presidente designado da COP 30, que esteve presente no evento e compartilhou sua visão para o futuro. Segundo ele, os esforços coletivos podem impulsionar mudanças transformadoras para um futuro sustentável, principalmente diante da crise climática que o mundo vivencia.

Outro ponto de destaque do The exChange Summit foram as atividades nas quais os empreendedores parceiros da jornada do CMe no Brasil, assim como de outros países, puderam compartilhar suas experiências, destacando desafios enfrentados e aprendizados adquiridos ao longo do percurso. 

Para o CMe, a realização do evento no país foi um marco no ano, tendo em vista a estruturação das ações do Centro no Brasil, sendo o primeiro hub do C4EC fora da Índia. “Para nós foi fundamental apresentar o CMe e demonstrar a sua relevância com o papel de liderança do Brasil no Sul Global, que tem como objetivo criar uma comunidade de atores em prol do impacto social, tendo como um forte parceiro como o Instituto Beja”, ressalta Rob Parkinson. 

O último dia do evento, inclusive, foi marcado por um painel chamado “Vozes do Brasil: Promovendo a democracia, a justiça e a mudança sistêmica”, no qual três parceiros do Instituto Beja: Pacto pela Democracia, Iniciativa PIPA e Abong – Democracia, Direitos e Bens Comuns – promoveram uma análise sobre democracia, justiça racial e o ecossistema filantrópico no país, compartilhando abordagens estratégicas nessas três frentes e destacando histórias que refletem o poder da conexão, da escuta e da ação coletiva. 

Entre os principais pontos trazidos, os debatedores destacaram a importância de incluir vozes diversas e enraizadas nos territórios e a dificuldade que permanece de colocar isso em prática diante das urgências, e que ampliar essas novas vozes exige metas e indicadores claros. Outro ponto ressaltado é a necessidade de a filantropia pensar e agir a partir das perspectivas das comunidades. “As pessoas nas periferias não querem ser vistas como beneficiárias, e sim como parceiras na cocriação”, destacou Gelson Henrique, diretor-executivo da Iniciativa PIPA. 

A sessão permitiu, ainda, aos participantes da rede global conhecerem, com mais profundidade, o contexto brasileiro e a importância desse trabalho que visa a mudanças exponenciais diante da complexidade dos desafios locais.

“O The exChange Summit foi um dos encontros mais significativos de que participei no ecossistema de impacto socioambiental. Destaco três aspectos marcantes: o olhar para o cenário internacional a partir do Sul Global, com casos e organizações conectadas aos nossos desafios; o estímulo à colaboração para enfrentar problemas estruturais; e a diversidade e qualificação da audiência, reunindo lideranças com trabalhos incríveis, especialmente da África e da Índia.” 

Thiago Rached
CEO e cofundador da Letrus

Principais resultados
do encontro

  • Fortaleceu e tangibilizou o conceito de mudanças exponenciais para o público brasileiro, incluindo atores da sociedade civil, setor público e imprensa;

 

  • Posicionou o CMe como parte de uma rede global de relações de confiança;

 

  • Sensibilizou os participantes internacionais sobre elementos relevantes do contexto brasileiro.

Atividade durante o The exChange Summit.

Foto: Jonatha Bongestab

Confira os principais números do evento

0

participantes, de 7 países

0

experiências interativas

0

diálogos mediados

Cristiane Sultani durante o The exChange Summit.

Foto: Jonatha Bongestab

“O The exChange Summit foi um dos eventos mais inspiradores que eu participei em 2025. A oportunidade de aprender com a experiência da Índia para pensar e projetar soluções exponencialmente nos provoca a revisitar o papel da filantropia na colaboração com mudanças sistêmicas.”

Carla Duprat
Diretora-executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) e conselheira do Instituto Beja

Conheça mais sobre
o The exChange Summit