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Evolução

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Eu não repito estações da mesma forma,
O que floresce em um tempo amadurece em outro;
Nada se perde quando há consciência,
Tudo se transforma no curso do próprio percurso.

O que não encontra agora encontra espera,
O que parece pausa prepara o porvir;
No silêncio de cada primavera
Algo aprende antes de surgir.

Transformo-me no próprio movimento,
A água ajusta o curso ao encontrar resistência;
O vento modula sua intensidade
Conforme o terreno e sua exigência.

A semente testa a profundidade do chão
Antes de romper a superfície;
Cada gesto deixa uma marca,
Cada marca amplia o que existe.

Nem toda chuva vem na medida exata,
Nem todo ciclo segue previsão;
Ainda assim, cada desvio revela
Nova compreensão.

Eu observo.
Eu incorporo.
Eu sigo diferente.

O que parecia obstáculo vira referência,
O que parecia falha indica direção;
O que parecia pausa silenciosa
Prepara expansão.

Crescer não é permanecer igual,
É ajustar com consciência e intenção;
É transformar experiência em base
E base em sustentação.

Eu continuo porque me transformo,
E me transformo porque continuo;
O que permanece não é a forma,
É a força de seguir mais íntegro e profundo.

A elaboração deste Relatório Anual 2025 no Instituto Beja reservou um momento específico para falar sobre os aprendizados. Isso porque, ao longo das páginas desta publicação, o Instituto buscou mostrar que não é possível contar sua história sem falar sobre o fato de o capital filantrópico ser um capital de risco, ou sobre sua disponibilidade em aprender com o campo, rever seus caminhos, repactuar estratégias, mudar rotas, buscar novos ares, enfim, essa abertura característica que coloca o Beja em uma posição de constante renovação. 

Com isso, entender os passos percorridos, as jornadas realizadas e as aprendizagens obtidas pode ser uma partilha importante para o campo da filantropia, a fim de que mais instituições busquem, também, oxigenar suas práticas. 

Confira a seguir alguns dos principais ensinamentos trazidos pela equipe em diferentes frentes do Instituto:

 

Equipe Beja em evento de confraternização em 2025. 

Foto: Jonatha Bongestab

“Em 2025, entendemos a importância de ter o olhar da cultura do cuidado e como navegar por essas instâncias. Vimos que é importante cuidar de quem decide, de quem está na ponta, de quem financiamos e, também, do time do Beja.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Por mais que o Beja seja muito fluido, existe um lugar de governança, então, um dos grandes aprendizados de 2025 foi a estruturação de uma governança partindo da necessidade de transparência nos nossos processos. Fomos cobrados disso enquanto equipe e, hoje, acredito que estamos em um lugar muito melhor com a reorganização da governança interna e externa.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Esse processo de tomada de consciência do Beja parte do princípio de que a filantropia é um ator com agência política. Estamos o tempo todo lidando com uma corda bamba: como garantir integridade institucional por meio da técnica, processos e governança, mas entendendo que temos agência política e que estamos atuando em um campo instável e fragmentário. Nesse momento estamos no processo de entender o que precisa ficar para trás, ou seja, que tipo de organização da filantropia vai dar conta dos desafios daqui adiante e quais não conseguem mais dar respostas, porque estão muito burocráticas.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“O Beja é um ator novo na filantropia, com essa tarefa que gera um certo ruído mesmo, de oxigenar a filantropia. Na navegação que fizemos no ano passado, entendemos que pensar as dinâmicas do campo ou propor um exercício de liberação de alguns trechos do ecossistema também precisa passar pelo crivo da crítica. Acho que esse foi o primeiro momento que percebemos que tínhamos uma intenção de navegar para lugares diferentes, mas que existem forças que a gente subestimou, como a força da tradição, ou a existência de soluções que já existiam no campo e não tínhamos visto. Isso nos mobiliza a parar e repensar. Não é porque somos críticos ao campo que estamos imunes à crítica.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Um aprendizado foi ouvir realmente o nosso portfólio e, a partir dessa escuta, entender se ele está levando para o caminho que queremos ou não. Essa flexibilidade e o lugar de escuta são essenciais, é o core do Beja, não podemos perder isso nunca. O Beja vai vivendo, as coisas vão mudando e se desenvolvendo. Então, existe esse lugar da escuta muito ativa em tudo. Essa foi uma grande conquista.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“A gente chama nossos grantees de parceiros. Se o Beja se entende como um ator político e que a filantropia precisa navegar para esse lugar, automaticamente viramos parceiros das organizações que financiamos. Porque a gente não financia por financiar, não é uma decisão meramente técnica, mas que passa por uma percepção de que temos alinhamento político com essas organizações; e isso vem sendo vocalizado inclusive pelas organizações. 

Acredito que, entre erros e acertos, quando recebemos essas devolutivas a gente entende porque foi importante sair da tarefa fim [os Pilares Estratégicos] e vir para o tema [os Eixos Programáticos].”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Depois do planejamento estratégico, nós ligamos de parceiro em parceiro para explicar o nosso processo, os novos Eixos Programáticos e mostrar a vontade de estar mais perto, o que foi bem recebido por todos. Entendemos que, estando junto, a gente consegue trocar, principalmente considerando o que a Cris sempre traz dos policapitais das organizações e a sinergia delas dentro do portfólio. Isso foi algo que aprendemos também, que é essa grande crítica em relação à filantropia estratégica, de não existir uma corresponsabilidade de quem faz o grant, que aparece daqui um ou dois anos dizendo: ‘E aí, o que você fez?’. Nós não queremos operar dessa forma.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Com o Laboratório de Nova Longevidade, por exemplo, aprendemos, em 2025, que cada parceiro tem a sua vocação e seu potencial. Não adianta estar todo mundo em todos os lugares, isso não faz sentido, ou seja, é reconhecer onde está a vocação de cada parceiro e sua missão e visão. No caso do Beja, é como influenciar as narrativas. Então, como criamos espaços para falar de uma forma diferente sobre a nova longevidade? Como fazemos para que esse tema ganhe relevância? Além disso, a gente entende que se o conteúdo é coerente, atualizado e importante para a sociedade civil, isso caminha sozinho. Foram vários grupos que surgiram desse Laboratório e que hoje a gente não tem controle. Esse foi um grande aprendizado.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Algo que o CMe defende bastante é que precisamos trabalhar em rede para dar conta da escala dos problemas que enfrentamos. Isso porque é muito improvável que consigamos, sozinhos, enfrentar os desafios adiante. Então, é fundamental trabalhar em colaboração, e o jargão que usamos é ‘distribuir a habilidade de resolver para mais pessoas’. Isso é um dos princípios que defendemos e acreditamos.”

Fabio Tran
Diretor do CMe e Membro
do Comitê Executivo do Instituto Beja

“O Lab Saúde, por exemplo, combina diferentes stakeholders, como o poder público, o capital privado e academia, e cada uma dessas agendas tem seu ritmo. Então, há uma importância grande em aprendermos que, independente da prioridade do Beja ou de algum parceiro, existem agendas diferentes, com timings e prioridades diferentes. Assim, essa orquestração precisa ser muito bem feita para dar certo.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Uma das grandes crises que vivemos hoje é a de confiança. Somos um país com tantas feridas que as pessoas pararam de confiar umas nas outras. Quando vamos falar com as organizações que financiamos, todas estão muito feridas, porque passaram por processos muito violentos para poder alcançar esses financiamentos. Algumas filantropias também andam sozinhas, porque não confiam nas outras organizações. E acho que um exemplo dessa construção de relações de confiança é a Aliança pelo Fortalecimento da Sociedade Civil, que começa como uma iniciativa isolada da Cris, enquanto filantropa que localiza uma questão que entende ser muito importante para o país. Com isso, mobiliza outros filantropos e atores da sociedade civil e, isso, se transforma e se institucionaliza em uma grande coalizão, com organizações da sociedade civil associativas, filantropias e escritórios de advocacia operando juntos pela regulação do setor. Só que, para isso, as relações de confiança precisam ser reconstruídas, além dessa capacidade de trabalhar junto com organizações que estão abertas para esse tipo de experiência.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“O fato de o Beja criar os seus mapas e roteiros de navegação deixa as pessoas muito à vontade para se juntarem a nós, em um lugar de informalidade, mas também de compromisso. Esses movimentos são orgânicos, não são protocolares ou roteirizados. Para mim esse foi um grande aprendizado, mais como um reforço porque já tínhamos visto isso, dessa importância de preservarmos esse lugar do não roteirizado, da espontaneidade. É um espaço que o Beja cria e consolida cada vez mais.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Acho que a maior mudança de 2025 para o CMe foi a decisão de realizar as jornadas no Brasil em português, o que até então era conduzido pelo time da Índia em inglês e contávamos com intérpretes. Começamos a fazer isso em dezembro de 2025 e acredito que uma parte grande do projeto para 2026 é internalizar as capacidades de condução da jornada para mudanças exponenciais com brasileiros. Tem muita potência em fazer parte de uma rede do Sul Global e, com isso, aprender a como trazer mais velocidade, escala, sustentação para transformações sociais, com uma consciência da importância da ótica local.”

Fabio Tran
Diretor do CMe e Membro
do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Em 2025, entendemos a importância de ter o olhar da cultura do cuidado e como navegar por essas instâncias. Vimos que é importante cuidar de quem decide, de quem está na ponta, de quem financiamos e, também, do time do Beja.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Por mais que o Beja seja muito fluido, existe um lugar de governança, então, um dos grandes aprendizados de 2025 foi a estruturação de uma governança partindo da necessidade de transparência nos nossos processos. Fomos cobrados disso enquanto equipe e, hoje, acredito que estamos em um lugar muito melhor com a reorganização da governança interna e externa.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Esse processo de tomada de consciência do Beja parte do princípio de que a filantropia é um ator com agência política. Estamos o tempo todo lidando com uma corda bamba: como garantir integridade institucional por meio da técnica, processos e governança, mas entendendo que temos agência política e que estamos atuando em um campo instável e fragmentário. Nesse momento estamos no processo de entender o que precisa ficar para trás, ou seja, que tipo de organização da filantropia vai dar conta dos desafios daqui adiante e quais não conseguem mais dar respostas, porque estão muito burocráticas.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“O Beja é um ator novo na filantropia, com essa tarefa que gera um certo ruído mesmo, de oxigenar a filantropia. Na navegação que fizemos no ano passado, entendemos que pensar as dinâmicas do campo ou propor um exercício de liberação de alguns trechos do ecossistema também precisa passar pelo crivo da crítica. Acho que esse foi o primeiro momento que percebemos que tínhamos uma intenção de navegar para lugares diferentes, mas que existem forças que a gente subestimou, como a força da tradição, ou a existência de soluções que já existiam no campo e não tínhamos visto. Isso nos mobiliza a parar e repensar. Não é porque somos críticos ao campo que estamos imunes à crítica.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Um aprendizado foi ouvir realmente o nosso portfólio e, a partir dessa escuta, entender se ele está levando para o caminho que queremos ou não. Essa flexibilidade e o lugar de escuta são essenciais, é o core do Beja, não podemos perder isso nunca. O Beja vai vivendo, as coisas vão mudando e se desenvolvendo. Então, existe esse lugar da escuta muito ativa em tudo. Essa foi uma grande conquista.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“A gente chama nossos grantees de parceiros. Se o Beja se entende como um ator político e que a filantropia precisa navegar para esse lugar, automaticamente viramos parceiros das organizações que financiamos. Porque a gente não financia por financiar, não é uma decisão meramente técnica, mas que passa por uma percepção de que temos alinhamento político com essas organizações; e isso vem sendo vocalizado inclusive pelas organizações. 

Acredito que, entre erros e acertos, quando recebemos essas devolutivas a gente entende porque foi importante sair da tarefa fim [os Pilares Estratégicos] e vir para o tema [os Eixos Programáticos].”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Depois do planejamento estratégico, nós ligamos de parceiro em parceiro para explicar o nosso processo, os novos Eixos Programáticos e mostrar a vontade de estar mais perto, o que foi bem recebido por todos. Entendemos que, estando junto, a gente consegue trocar, principalmente considerando o que a Cris sempre traz dos policapitais das organizações e a sinergia delas dentro do portfólio. Isso foi algo que aprendemos também, que é essa grande crítica em relação à filantropia estratégica, de não existir uma corresponsabilidade de quem faz o grant, que aparece daqui um ou dois anos dizendo: ‘E aí, o que você fez?’. Nós não queremos operar dessa forma.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Com o Laboratório de Nova Longevidade, por exemplo, aprendemos, em 2025, que cada parceiro tem a sua vocação e seu potencial. Não adianta estar todo mundo em todos os lugares, isso não faz sentido, ou seja, é reconhecer onde está a vocação de cada parceiro e sua missão e visão. No caso do Beja, é como influenciar as narrativas. Então, como criamos espaços para falar de uma forma diferente sobre a nova longevidade? Como fazemos para que esse tema ganhe relevância? Além disso, a gente entende que se o conteúdo é coerente, atualizado e importante para a sociedade civil, isso caminha sozinho. Foram vários grupos que surgiram desse Laboratório e que hoje a gente não tem controle. Esse foi um grande aprendizado.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Algo que o CMe defende bastante é que precisamos trabalhar em rede para dar conta da escala dos problemas que enfrentamos. Isso porque é muito improvável que consigamos, sozinhos, enfrentar os desafios adiante. Então, é fundamental trabalhar em colaboração, e o jargão que usamos é ‘distribuir a habilidade de resolver para mais pessoas’. Isso é um dos princípios que defendemos e acreditamos.”

Fabio Tran
Diretor do CMe e Membro
do Comitê Executivo do Instituto Beja

“O Lab Saúde, por exemplo, combina diferentes stakeholders, como o poder público, o capital privado e academia, e cada uma dessas agendas tem seu ritmo. Então, há uma importância grande em aprendermos que, independente da prioridade do Beja ou de algum parceiro, existem agendas diferentes, com timings e prioridades diferentes. Assim, essa orquestração precisa ser muito bem feita para dar certo.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Uma das grandes crises que vivemos hoje é a de confiança. Somos um país com tantas feridas que as pessoas pararam de confiar umas nas outras. Quando vamos falar com as organizações que financiamos, todas estão muito feridas, porque passaram por processos muito violentos para poder alcançar esses financiamentos. Algumas filantropias também andam sozinhas, porque não confiam nas outras organizações. E acho que um exemplo dessa construção de relações de confiança é a Aliança pelo Fortalecimento da Sociedade Civil, que começa como uma iniciativa isolada da Cris, enquanto filantropa que localiza uma questão que entende ser muito importante para o país. Com isso, mobiliza outros filantropos e atores da sociedade civil e, isso, se transforma e se institucionaliza em uma grande coalizão, com organizações da sociedade civil associativas, filantropias e escritórios de advocacia operando juntos pela regulação do setor. Só que, para isso, as relações de confiança precisam ser reconstruídas, além dessa capacidade de trabalhar junto com organizações que estão abertas para esse tipo de experiência.”

Marcio Black
Diretor de Programas e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“O fato de o Beja criar os seus mapas e roteiros de navegação deixa as pessoas muito à vontade para se juntarem a nós, em um lugar de informalidade, mas também de compromisso. Esses movimentos são orgânicos, não são protocolares ou roteirizados. Para mim esse foi um grande aprendizado, mais como um reforço porque já tínhamos visto isso, dessa importância de preservarmos esse lugar do não roteirizado, da espontaneidade. É um espaço que o Beja cria e consolida cada vez mais.”

Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja

“Acho que a maior mudança de 2025 para o CMe foi a decisão de realizar as jornadas no Brasil em português, o que até então era conduzido pelo time da Índia em inglês e contávamos com intérpretes. Começamos a fazer isso em dezembro de 2025 e acredito que uma parte grande do projeto para 2026 é internalizar as capacidades de condução da jornada para mudanças exponenciais com brasileiros. Tem muita potência em fazer parte de uma rede do Sul Global e, com isso, aprender a como trazer mais velocidade, escala, sustentação para transformações sociais, com uma consciência da importância da ótica local.”

Fabio Tran
Diretor do CMe e Membro
do Comitê Executivo do Instituto Beja