“Os Laboratórios do Instituto Beja têm a intencionalidade de incubar projetos filantrópicos em colaboração. É um espaço de experimentar conjuntamente e desenvolver projetos com múltiplos atores, em que cada um contribui com a sua expertise. Nesse ambiente, vamos testar novas tecnologias sociais, novos modelos de abordagem e como tratamos temas dentro da filantropia. São atores com diferentes policapitais, experts em suas agendas, com valores em comum, olhando temáticas em profundidade no longo prazo.”
Maria Vogt
Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
Os Laboratórios foram a solução encontrada pelo Instituto Beja para constituir espaços de experimentação conjunta voltada a temas e agendas que o Instituto julga relevantes no contexto brasileiro, sempre buscando a diminuição das desigualdades.
Os Laboratórios materializam a crença do Instituto Beja no poder dos policapitais e nas parcerias estratégicas, já que possibilitam que diferentes atores se encontrem em um ambiente de aprendizagem, a fim de acelerar, medir e escalar modelos, testar hipóteses e desenvolver soluções e metodologias, além de desenhar percursos possíveis de transformação, prototipar novas tecnologias sociais e, sobretudo, refletir conjuntamente sobre o futuro e o fazer da filantropia.
Em 2025, o Instituto Beja contou com três laboratórios: Lab Nova Longevidade, Lab de Imaginação e Inovação na Filantropia e Lab Saúde. Conheça mais sobre cada um deles:
Lab Nova Longevidade

Parceiros

A inversão da pirâmide etária é um fenômeno social e demográfico que chama, cada vez mais, a atenção no Brasil e se caracteriza pela diminuição da quantidade de crianças e jovens e aumento da população idosa, produzindo, na representação gráfica, uma pirâmide invertida, de base compacta e topo alargado.
Em outras palavras, isso significa que o país está envelhecendo. De acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o total de pessoas com 65 anos ou mais no país (mais de 22 milhões) chegou a 10,9% da população, com alta de 57,4% em relação a 2010, quando esse contingente correspondia a 7,4% da população (ou pouco mais de 14 milhões de pessoas).
Diante desse contexto, o Instituto Beja, juntamente com a Ashoka, o programa Itaú Viver Mais e o Grupo RD, criou o Lab Nova Longevidade, inspirado pela iniciativa global da Ashoka, que mobiliza sua rede de empreendedores sociais e toda a sociedade para responder às oportunidades e desafios do envelhecimento populacional acelerado no Brasil e no mundo.
Com a chamada “Nova longevidade é sobre envelhecer transformando o mundo”, o Lab visa unir, em um espaço de experimentação, atores com diferentes experiências e trajetórias para pensar conjuntamente sobre caminhos possíveis para a longevidade no Brasil, além de reforçar a importância e despertar o interesse público por essa temática.
Mais do que criar esse espaço de troca, o Instituto Beja atuou como um catalisador de rede, oferecendo não apenas infraestrutura física, mas também legitimidade institucional para reunir atores diversos: academia, setor privado, organizações da sociedade civil, empreendedores sociais e gestores públicos, em torno da agenda do cuidado e da saúde.
“O Instituto Beja é um parceiro estratégico do Lab Nova Longevidade por seu compromisso com a cocriação de espaços de diálogo público capazes de avançar, de forma qualificada e plural, o paradigma da Nova Longevidade – que reconhece e amplia as oportunidades de contribuição ao longo da vida. Em 2025, essa parceria foi central para o amadurecimento do Lab, especialmente ao viabilizar a experimentação de formatos que conectam conhecimento, escuta social e ação coletiva.”
Marília Duque
Colíder da Ashoka em Nova Longevidade no Brasil
Principais ações do Laboratório em 2025
Em 2025, o Lab Nova Longevidade deu continuidade a algumas ações encampadas no ano anterior, como o Mapeamento do Ecossistema de Inovação Social em Longevidade – lançado em setembro de 2024 –, o trabalho de advocacy do tema e a articulação para viabilizar espaços na mídia, como na
editoria Longevidade no Nexo Políticas Públicas e no evento Brasil em Debate. Além disso, representantes do Laboratório marcaram presença em conferências e encontros nacionais e internacionais sobre cuidado, saúde, inovação e envelhecimento.
Colaboração no Governo Aberto – Currículo Digital para Pessoas Idosas:
O Lab Nova Longevidade participou da cocriação do currículo norteador para inclusão das pessoas idosas, integrando inclusão digital, letramento crítico, cidadania e habilidades transformadoras como fundamentos da longevidade ativa. O ano terminou com a redação da primeira versão finalizada, com inclusão do reconhecimento da pessoa idosa como agente de transformação. A produção está sob avaliação do Ministério da Educação (MEC) e seguirá para consulta pública na fase seguinte antes de sua conclusão.
Colaboração na 6ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CONADIPI):
Convidado pelo Secretário Nacional de Direitos da Pessoa Idosa, o Lab Nova Longevidade participou da 6ª CONADIPI, realizada em dezembro de 2025, em Brasília, com o tema “Envelhecimento Multicultural e Democracia: Urgência por Equidade, Direitos e Participação” e contribuiu com a construção das propostas priorizadas junto ao Eixo 5 – Consolidação e Fortalecimento da Atuação dos Conselhos de Direitos da Pessoa Idosa como Política do Estado Brasileiro, no Grupo de Trabalho 15, que trata sobre Formação, Cidadania e Múltiplas Velhices.
Circuito de Encontros do Ecossistema de Longevidade e Engajamento da Rede Cultura do Cuidado e Saúde:
O Instituto Beja sediou o encontro híbrido promovido pelo Lab Nova Longevidade, que contou com a participação de organizações como Noora Health, Favela Compassiva, RD Saúde, Family Talks, Observatório de Cuidados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), UniPeriferias e mais de 70 iniciativas para produzir diagnósticos, compromissos e frentes de ação com ativação de rede permanente para colaboração em práticas e inovação em saúde e cuidado – subgrupo cooperando em frente de advocacy para saúde e cuidado da pessoa idosa.
“O ano de 2025 foi marcado pela consolidação do Laboratório como orquestrador do ecossistema de longevidade via articulação de redes e produção de inteligência coletiva, refletindo na expansão das parcerias, participações em fóruns decisórios e eventos. Além disso, fortalecemos a interface com a mídia e a opinião pública com mais de 500 mil visualizações entre artigos, editoriais, podcasts e reportagens que posicionam a longevidade como pauta de democracia, economia, cuidado e inclusão.”
Marília Duque
Colíder da Ashoka em Nova Longevidade no Brasil
Aproximação da academia:
Em 2025, o Lab Nova Longevidade se aproximou de diferentes instituições de ensino superior brasileiras. Com a Fundação Getulio Vargas (FGV), estabeleceu um acordo de cooperação para o desenvolvimento de um Hub de Nova Longevidade, a fim de formar lideranças e produzir evidências aplicadas sobre trabalho, organizações, inovação e equidade intergeracional. Com a Faculdade Cásper Líbero, estabeleceu uma parceria estratégica para incorporar longevidade na formação, gerar extensão universitária e cocriar conteúdos sobre longevidade no Brasil, como os oito episódios do Podcast do Mapeamento de Inovação Social em Longevidade. Com a Loughborough University / British Academy, contribuiu para a realização de uma pesquisa multiterritorial analisando como a inclusão digital influencia contribuição, trabalho, saúde e participação social na maturidade.
“A parceria com o Instituto Beja viabilizou o funcionamento do Lab em formato de laboratório vivo, com abertura para desenhar, testar e ajustar soluções para desafios complexos, como o envelhecimento, em um país marcado por profundas desigualdades estruturais, fortalecendo a aprendizagem institucional e coletiva.”
Marília Duque
Colíder da Ashoka em Nova Longevidade no Brasil
Acordo de Cooperação com o Fórum Gerações e Futuro do Trabalho:
O Lab colabora no projeto de desenvolvimento de indicadores geracionais e na difusão de práticas de inclusão etária a partir de uma parceria com o coletivo empresarial de diversidade etária do Brasil.
Aproximação com o Sírio-Libanês:
Imersão em intraempreendedorismo social em saúde com profissionais da Faculdade Sírio Libanês, conectando inovação, cuidado e transformação organizacional.
Ao conectar escuta e produção de conhecimento com arenas de debate e formulação de políticas, o Instituto Beja contribuiu para que o Laboratório ampliasse sua capacidade de incidência pública, reforçando seu papel enquanto orquestrador do ecossistema. A experiência e trajetória do Instituto Beja em advocacy também contribuiu para balizar a formação de um Grupo de Trabalho atuando na construção de uma agenda coletiva alinhada ao Plano Nacional de Cuidados Brasil que Cuida, reforçando o reconhecimento de cuidadoras e cuidadores como agentes de transformação.
Aprendizados
do ano
- Importância da criação de espaços de encontro, mediação e continuidade para que as conexões se convertam em inteligência coletiva e ação coordenada;
- Presença de um ator institucional confiável é fundamental para ativar redes, reduzir assimetrias e fomentar colaboração genuína;
- Realização de encontros em formato híbrido combina troca de conhecimento com trabalho colaborativo em rede;
- Diálogo entre organizações e experiências internacionais e nacionais permite traduzir evidências internacionais em desafios concretos do contexto brasileiro;
- Agendas complexas como cuidado e longevidade exigem processos contínuos, colaborativos e politicamente situados.
Lab de Imaginação e Inovação na Filantropia
Parceiros

Vigência
2024 a 2029
Imaginar, dar forma e narrar futuros coletivamente para transformar o presente.” Essa frase de apresentação traz um resumo sobre o objetivo do Instituto Toriba: unir pesquisa, alfabetização em futuros e construção de narrativas para catalisar transformações sociais, em um esforço de trabalhar ativamente para imaginar e projetar as realidades que se deseja ver florescer.
Foi essa vontade de trabalhar com o tema da imaginação e de futuros que despertou a curiosidade de Cristiane Sultani ainda em 2023, quando Graciela Selaimen, ainda como consultora e no processo de estruturação do Instituto Toriba, fez a curadoria e a facilitação da segunda edição do Filantropando.
“Acreditamos que há uma crise de imaginação e de formatos de operação na filantropia, não só na brasileira.
A filantropia precisa se reinventar ou perde relevância muito rapidamente. Por mais que se faça filantropia desde o início do século 20, as desigualdades só aumentam. Então, que filantropia é essa? A quem ela serve? E para lidar justamente com essa crise, precisamos imaginar novas estruturas e formas de relacionamento da f ilantropia com a sociedade, com os governos, com as políticas, e outras formas de até apresentar o que significa fazer filantropia, que não necessariamente é uma relação vertical tão assimétrica. Espaços de cocriação, de aprendizagem mútua e de decisão compartilhada dentro da filantropia ainda são muito incipientes no Brasil.”
Graciela Selaimen
Fundadora e Diretora-executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
Nasce, então, a colaboração entre Beja e Toriba, materializada no Laboratório de Imaginação e Inovação na Filantropia. Trata-se de um espaço de experimentação de novas ideias, possibilidades, abordagens e sistemas de pensamento para a filantropia brasileira, tanto a partir de exemplos internacionais do que já está sendo feito, como de outros processos que acontecem no Brasil, mas que a filantropia ainda não analisa.
Para alcançar seus objetivos, o Laboratório atua baseado em três dimensões: self (indivíduo), ecossistemas e instituições. Em comum, todas se relacionam, de alguma forma, com processos de letramento sobre futuros, mudança de mentalidade e percursos pedagógicos de conscientização.

“Aos poucos, vamos dando passos e aprofundando reflexões, trazendo novos temas em um processo de transformação de pensamento. Estamos plantando sementes para criar um pensamento novo entre as pessoas que estão no campo da filantropia e, também, para criar novas possibilidades de espaços de experimentação dentro das próprias instituições a partir desse trabalho com as lideranças.”
Graciela Selaimen
Fundadora e Diretora-executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
Toda transformação de pensamento começa com as motivações pessoais (dimensão self). O Filantropando, por exemplo, uma das responsabilidades do Instituto Toriba junto ao Beja, sempre tem o cuidado de trazer temáticas provocativas a partir de uma dimensão reflexiva, trabalhando, de forma sutil, essa convocatória particular de cada participante para estar ali.
Principais ações do Laboratório em 2025
Organização e curadoria do Filantropando:
Uma das principais ações do Laboratório é a curadoria do Filantropando, que, em 2025, aconteceu em Belém (PA), durante a COP 30 e, com isso, trouxe novos desafios para as organizações promotoras. Além da criação de um fio condutor alternativo, a fim de não ter a mesma abordagem que a programação oficial da Conferência, essa edição também apresentou desafios de articular as agendas dos participantes, missão na qual Toriba e Beja contaram com o apoio e a parceria do Instituto Clima e Sociedade (iCS). O Instituto Toriba também ficou responsável pela realização e articulação com artistas locais, que marcaram presença no Barco Beja – sede do Filantropando em Belém – durante todos os dias dos encontros.
Encontro “Conversas sobre Futuros”:
Em 2025, o Laboratório articulou e promoveu o encontro “Conversas sobre Futuros” com Peter Bishop, pesquisador acadêmico estadunidense, especialista em estudos de futuro e fundador do movimento global Teach the Future (em tradução livre, Ensine o Futuro), que promove uma “alfabetização de futuro” enquanto uma habilidade para estudantes e educadores. O encontro foi destinado a um grupo de 45 pessoas em posição de liderança e tomada de decisões em instituições filantrópicas, com o objetivo de inspirá-los ao compartilhar processos que já acontecem em diferentes lugares do mundo, dentro e fora da f ilantropia, além de discutir a importância da antecipação estratégica e a preparação para navegar entre as incertezas diante de um mundo em rápida transformação.
Apoio na articulação com fundos filantrópicos indígenas:
Desde 2024, o Instituto Toriba apoia o Instituto Beja na interlocução com fundos filantrópicos indígenas, criados e autogeridos por pessoas indígenas. Entre as principais articulações estão o contato com Josimara Baré, ativista climática indígena do povo Baré e administradora e coordenadora do Fundo Indígena Rutî, que participou da terceira edição do Filantropando, em 2024; a parceria com o Conselho Indígena de Roraima (CIR) e apoio ao Fundo Indígena Rutî; e aproximação e diálogo com Valéria Paye, diretora-executiva do Fundo Podáali – Fundo Indígena da Amazônia Brasileira, o primeiro mecanismo de abrangência amazônica para captação e redistribuição de recursos a povos, organizações e comunidades indígenas.
“Nossa colaboração no Laboratório de Imaginação e Inovação na Filantropia representa um espaço de diálogo aberto onde exploramos experimentalmente como a imaginação coletiva, o design especulativo e as epistemologias do Sul Global podem renovar e ampliar as práticas filantrópicas. O que diferencia essa parceria é a confiança mútua que permite risco criativo – tanto por parte do Beja, ao apoiar experimentos metodológicos ainda em desenvolvimento, quanto por parte da Toriba, ao se abrir para aprendizados que desafiam nossas próprias práticas. É uma relação onde a colaboração ganha sentido profundo: não se trata de transferência de conhecimento unidirecional, mas de um caminho compartilhado onde ambas as organizações aprendem, experimentam e se transformam juntas.”
Graciela Selaimen
Fundadora e Diretora-executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
Aprendizados do ano
- Conversas, debates e trocas do mundo filantrópico não precisam se limitar a temas como impacto, números, indicadores, resultados e métricas;
- Discutir sobre o mundo sensível e do imaginário requer coragem para romper com a lógica vigente, que está apontando para o desmantelamento das estruturas da filantropia como se conhece;
- A inovação filantrópica exige abertura para experimentação radical, não apenas em metodologias, mas em como se concebe a própria relação entre filantropia e transformação social;
- Importância de se permitir “estar em processo”, aberto para o ajuste de práticas e aprendizado;
- Importância de reflexões individuais, institucionais e coletivas, em espaços onde não haja tanto medo e reatividade;
- A confiança mútua é a base para o risco criativo;
- Usar a linguagem correta para despertar interesse do público da filantropia a fim de que diminuam suas resistência em relação a ideias novas;
- A arte é um componente importante para despertar a sensibilidade nas pessoas;
- O conhecimento filantrópico é algo que se constrói continuamente, em diálogo genuíno entre pares comprometidos com a transformação;
- Com os estímulos e provocações certas, as pessoas, na verdade, estão dispostas e disponíveis a debater o mundo sensível e os pressupostos que têm orientado o mundo da filantropia.
Lab Saúde – projeto CID-SP Emergências
Parceiros
Instituto Beja, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), Escola Politécnica da USP (POLI USP) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
Vigência
2024 a 2029
A pandemia de Covid-19 escancarou os desafios que o Brasil ainda enfrenta para assegurar o acesso à saúde, direito social fundamental garantido pelo Art. 6º da Constituição Federal, mas ainda negado diariamente a milhões de brasileiros.
No Estado de São Paulo, por exemplo, o sistema público enfrenta desafios estruturais na gestão de urgências e emergências, caracterizados por alta demanda assistencial e restrições operacionais. A ausência de critérios plenamente integrados para a priorização e a alocação de pacientes impacta a eficiência do sistema e os desfechos clínicos, tornando ainda mais complexa a missão de modernizar o sistema de regulação de leitos de emergência na saúde pública.
A migração de um modelo analógico para um sistema inteligente, com a meta de reduzir o tempo médio de regulação de 17 horas para duas horas, permitiria usar, de forma potencializada, tecnologias como integração avançada de dados, inteligência artificial, telemedicina e Internet das Coisas (IoT), facilitando processos de tomada de decisão com ganhos de eficiência na regulação de leitos.
Entretanto, reduzir o tempo de alocação de pacientes depende da revisão e da otimização dos processos existentes. Sem o redesenho dos fluxos operacionais e dos critérios de priorização, a adoção de novas tecnologias tende a reproduzir ineficiências já existentes no sistema.
Para contribuir com o CID-SP Emergências (Centro de Inteligência de Dados em Saúde Pública) – projeto de pesquisa, inovação e articulação institucional voltado à qualificação da regulação de leitos de urgência e emergência no Estado de São Paulo – o Instituto Beja estruturou, em 2024, o Lab Saúde como frente de apoio e articulação dessa agenda, desenvolvida em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e com a Escola Politécnica da USP (POLI USP).
O Instituto Beja trouxe a Accenture como parceira central na condução e gestão do projeto, adotando sua metodologia voltada à estruturação e governança de iniciativas complexas e multidisciplinares. A abordagem combina alinhamento institucional, aprimoramento de processos e incorporação de tecnologias, com acompanhamento contínuo e ajustes ao longo do percurso, favorecendo o aprendizado institucional e a sustentabilidade da iniciativa.
Diante de um projeto de alta complexidade, que envolve múltiplas instituições com papéis e capacidades distintas, exigindo coordenação robusta, governança integrada e comunicação contínua, o Instituto Beja atua como parceiro estratégico, mobilizando capital filantrópico para articular atores-chave, fortalecer estruturas de governança e apoiar mudanças em processos e práticas, ampliando o impacto em escala.
“A parceria com o Instituto Beja é estratégica porque conecta ciência, cuidado, território e inovação. Além da atuação direta junto a populações vulnerabilizadas, o Beja tem um papel fundamental no apoio a iniciativas estruturantes, como o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI) e o Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), contribuindo para transformar conhecimento acadêmico em soluções concretas para o sistema público de saúde. Essa articulação amplia impacto, sustentabilidade e alcance social das ações.”
Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar
Professora Titular de Medicina na USP e Diretora de Cardiologia e de UTIs da Rede D’Or. Cardiologista e Intensivista
Principais ações do Laboratório em 2025
Compreensão aprofundada do sistema:
Mapeamento dos fluxos, jornadas, processos e principais dores da regulação de urgências e emergências, criando uma base comum para o redesenho do sistema.
Preparação dos Produtos Mínimos Viáveis (MVPs):
Definição de requisitos, princípios de arquitetura e avanço na organização e higienização de bases de dados, viabilizando o desenvolvimento dos MVPs priorizados.
Estruturação da execução:
Contratação de bolsas de pesquisa e adoção de ferramentas de gestão, fortalecendo a governança e a capacidade de coordenação do projeto.
“O principal aprendizado é que inovação em saúde exige alianças sólidas e comprometidas com impacto real. A relação com o Instituto Beja mostra que a filantropia estratégica, quando alinhada à ciência e à política pública, acelera projetos complexos como o ITMI e o CCD. Aprendemos também que escuta, presença no território e compromisso de longo prazo são tão importantes quanto tecnologia e financiamento para gerar transformação sistêmica e equidade em saúde.”
Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar
Professora Titular de Medicina na USP e Diretora de Cardiologia e de UTIs da Rede D’Or. Cardiologista e Intensivista
Aprendizados
do ano
- Coordenação entre múltiplos parceiros com funções claras de gestão;
- Estabelecimento de estratégias de transição para assegurar a continuidade em caso de apoios técnicos temporários;
- A importância de um alinhamento e sincronização entre tempos institucionais e cronogramas de execução em projetos que envolvem pesquisa, inovação e implementação entre diferentes setores;
- Contar com processos mapeados e documentação técnica.

